sábado, 6 de junho de 2009

A Dívida Do Carinho.


Ele precisava de carinho, não aquele que vem na forma de um telefonema ou de um presente inesperado, precisava de carinho na pele, mais que um abraço, pele com pele. Não era sexo, era carinho que se obtém de graça de quem gostamos, mas de quem ele gostava não vinha nada. Resolveu pagar, carinho pago, não sexo, só carinho, pele com pele, achava que era o crime perfeito, ele não estava traindo quem gostava dele, só estava saciando sua necessidade. Que mal haveria em ser acariciado por uma estranha que ele não veria nunca mais?
Fez. Foi bom, mas na hora de pagar nem ele nem a profissional sabia quanto valia um carinho.
Sem entendimento ficou assim: ela não cobrou e ele se foi, sem saberem o valor que o carinho tem
.

Pai Na Moda.

Conversando com a minha filha, eu disse a ela que muito do ela gosta, hoje, é moda e que quando eu era adolescente isso ou aquilo ainda não existia, portanto eu não pude gostar ou deixar de gostar de muito do que é o mundo dela. Ela se espantou com a inexistência de algumas coisas que ela curte quando da minha juventude, expliquei que eu me divertia com outras coisas, não sei se convenci, mas essa cena me fez lembrar exatamente como eu via meus pais anacrônicos quando eu era jovem e não conseguia me imaginar no mundo juvenil deles.
Me tornar pai me fez ver muito, e dentro desse muito vi o que não era dito pelos meus pais, mas que era sentido por mim e eles. Aquele algo que fica no ar em uma relação e que agora eu compreendo, bem que eles poderiam ter me explicado e me poupado tanto tempo para eu descobrir, mas foi melhor assim, se tivessem me dito eu não teria entendido ou acreditado e só sentindo na pele é que se aprende as sutilezas da vida.

Envelhecendo Junto Com O Espelho.

Durante esta semana um colega de trabalho na casa dos trinta anos de idade me fez um comentário:
- Porque todas as mulheres são bonitas, agora?
O "agora" no final da frase não foi em referência a idade atual dele e, sim, ao mundo de hoje. Fiz que não entendi essa nuance do comentário dele e passei a falar com ele sobre a mudança que ocorreu em mim na forma com que eu via a beleza da mulher desde a adolescência até hoje.
Na adolescência o que eu queria era o que todo adolescente homem quer: a mais bela, a mais gostosa, a mais cheirosa, a que se vestia melhor e com roupas mais provocantes. Era o DNA tentando se reproduzir com o material melhor e mais saudável, o que em tese faria com que a raça se mantivesse, melhorasse e se aperfeiçoasse.
O tempo agiu em mim, hoje com quarenta e três anos de idade não fixo meus olhos nas mais belas. Os rostos e corpos femininos não se diferenciam tanto entre as bonitas e as feias de modo radical como antes, hoje há as belas que são padronizadas nas capas de revistas e as belas que estão aí, nas calçadas, nos supermercados, no ambiente de trabalho, cuja beleza me fascina, mas que não é a beleza estereotipada da juventude, da loirice, do corpo perfeito delineado na academia ou na sala de cirurgia.
As mulheres se tornaram belas para mim sem que precisassem mudar nada em si, eu é que mudei, elas só amadureceram. Hoje me chama mais a atenção a mulher de meia idade com a sua natural tranquilidade, consciência de si, do mundo e maior experiência de vida. O corpo não é o da capa de revista, mas e daí? O que um corpo e apenas ele me dá agora? Com certeza dá menos do que eu queria quando adolescente, mas mais do que um jovem precisa, ele dá a certeza de que cada imperfeição impressa nele pelo tempo garante que a brincadeira é mais séria e definitiva do que a brincadeira de adolescente e os mapas que as rugas formam são mapas do tesouro para quem souber lê-las e interpretá-las.
Mulheres não são como vinho, vinho um dia acaba, elas não, elas são eternas.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Bem Feliz.

Tenho encontrado pessoas e elas me perguntado como estou depois da cirurgia, além de agradecer a elas pela preocupação, tenho explicado que estou me sentindo muito bem, mais disposto, mais ágil e mais feliz de uma forma geral.
Eu não tinha noção de quanto a hérnia me tirava a felicidade e inibia meus movimentos, quer pela sua presença, quer pelo constrangimento de tê-la.
Estou me cuidando porque de tão bem que estou corro o risco de esquecer que ainda tenho que ficar dois meses sem fazer esforço físico, o difícil é definir o que é esforço ou não, na dúvida deixo de fazer ou peço a outra pessoa que faça por mim.

Era Uma Vez...

Há um tipo de pessoa interessante, mas cansativa, por mais que a gente fale e explique um assunto ela só ouve o que quer ouvir e não estou falando dos idosos que já não estão com a cuca em dia, são pessoas adultas e saudáveis.
Eu começo um assunto com uma pessoa assim e ela só ouve o início da
conversa, logo depois ela passa a "ouvir" a sua própria imaginação e fantasia, como se ela se ausentasse do mundo real e passasse ao mundo da fantasia usando o meu papo como cenário para encenar o que ela queria ver/ouvir/vivenciar. No final do papo é que eu noto que ela não ouviu, ou ouviu e não entendeu nada do que eu disse, boa parte da compreensão dela ficou prejudicada e foi substituída pelo que ela queria ter ouvido.
Cansa, tenho que repetir a história diversas vezes e pedir para a pessoa confirmar que está entendendo o que eu estou dizendo, para que a conversa não fique parecendo um sonho acordado da outra pessoa.
Entende?

Filmes e Eu.

Eu nunca fui um cinemaníaco, quando criança via filmes na TV por falta do que fazer. Cresci e passei a ter dificuldade em assisti-los na TV. No cinema tudo bem, o cara fica ali confinado e se prende à história, mas em casa na frente da TV eu não resistia e acabava trocando de canal, me faltava paciência e sobrava ansiedade.
De uns anos prá cá, mais paciente e menos ansioso, estou conseguindo me manter diante da TV, mesmo em filmes bem ruinzinhos ou sonolentos e agora estou podendo ver alguns títulos que deixei passar por falta de saco de vê-los na TV.
Em casa eu não posso ver um filme e adorá-lo,
no máximo acho-o interessante ou chato, só a sala de cinema é capaz de me fazer encantar com uma obra e cultuar ou não.

domingo, 5 de abril de 2009

Muito Bem e Obrigado.

Resumo da semana: na segunda retornei ao trabalho, meio turno inicialmente, ainda caminhava mais lento que o normal e sentia o lado direito do abdômen e perna direita "presos". Foi um dia cansativo, mas me saí bem, só um pouco lento.
Na terça tive a última consulta (espero) com a equipe que me operou, fui liberado para retirar os pontos, de imediato os retirei no posto de saúde perto de casa e retornei ao trabalho, meio expediente, de novo.
Não senti diferença sem os pontos, devo fazer curativos por alguns dias por que ficou um pequeno espaço de um ou dois pontos que precisa cicatrizar melhor.
Trabalhei normalmente da quarta em diante até sábado, a cada dia me sentia menos cansado ao final dele e mais "solto" para me movimentar, com a atividade física do trabalho diário senti melhora mais rápida do que quando eu ficava em casa sentado.
Estou me sentido ótimo, melhor que antes da cirurgia, feliz por estar com um corpo normal, com tudo no lugar, sem ter que me privar e passar por constrangimentos por causa do volume visível que era a hérnia.
Eu quero agradecer a todos amigos que se manifestaram e mantiveram contato para saber da minha saúde, agradeço mesmo aqueles que não se manifestaram, pois sei que gostam de mim e se preocupam, mas que por seus motivos se mantiveram distantes, nem sempre é fácil lidar com a doença, seja nossa ou de quem a gente gosta.

domingo, 29 de março de 2009

Paciente.

Estou naquela fase... me sinto bem em casa, confortável, mas entediado. Fico entre o computador e a TV para passar o tempo, vejo o pessoal de casa sair para trabalhar e estudar, só que ainda não me sinto fisicamente preparado para retornar ao trabalho, estou caminhando devagar na rua, em casa caminho normal e me custa ir ao trabalho e voltar. Depois de amanhã tenho consulta com o cirurgião que me operou e verei com ele quando tiro os pontos e quando devo retornar ao trabalho.
Quero retornar logo à minha rotina de caminhadas matinais e trabalho o dia inteiro.
O bom é que estou descansando pelas férias que desde 2006 não tirei.

Hipotensão Pós Raquidiana.

Cheguei do hospital após ter passado a noite lá e cheguei muito bem. Fiz a barba, tomei banho e almoçei. Fiquei vendo TV a tarde toda, foi no outro dia que começou o problema, acordei com uma dor no pescoço que me acompanhou o dia inteiro. No segundo dia em casa piorei, acordei com forte dor no pescoço, acompanhado de mal estar, muito suor e vômitos. Todos os sintomas passavam rapidamente, uns trinta segundos depois que eu me deitava, só permanecia o mal estar. Senti febre e me assustei pensado que dor no pescoço + vômito + febre = meningite. Corri à emergência do hospital e o médico cirurgião que me atendeu diagnosticou "hipotensão pós raquidiana", me recomendou repouso absoluto até melhorar.
Voltei para casa e passei o restante do dia e o outro de cama e mal, não com risco de morte, mas com mal estar e os sintomas acima, eu não conseguia ficar sentado, nem em pé, que os sintomas reapareciam com força. Tomava banho com pressa e no meio dele tinha que interromper e voltar para a cama, me deitar para que os sintomas passassem, até as referições eu fazia deitado na cama.
Fui melhorando lentamente ao passar dos dias, mas tive alguns sintomas meio esquisitos que atribuo também à anestesia. No quinto dia pós cirurgia eu ouvia a todos como se falassem que nem o Darth Vader de Star Wars, com uma voz sintetizada. Eu tinha uma dor no joelho esquerdo, deve ser uma pequena lesão que me acompanha há meses. Sumiu. Até agora não voltou e sei que a lesão permanece, deve ser culpa da anestesia que por dias influenciou meu sistema nervoso.
Agora estou bem, terminando a última caixa de antibiótico, a febre se foi há dias, deve ter sido alguma bactéria no corte, os sintomas da hipotensão pós raquidiana também se foram, felizmente, porque foi um sofrimento!
A cirurgia evolui bem, o corte está cicatrizando normalmente e em alguns dia devo tirar os pontos.

sábado, 21 de março de 2009

Onde Estou?

Estranho. Muito estranho, é assim que estou me sentindo.
É o segundo dia pós operatório e estou com sintomas esquisitos, vamos a eles divididos em clínicos e psicológicos:
Clínicos:
-Dor na nuca. Começou hoje quando acordei, só dói quando estou sentado ou de pé, deitado a dor some.
-Dor no joelho esquerdo. Sumiu. Tenho essa dor há cinco meses quando flexiono o joelho esquerdo. Tenho certeza que é uma lesão, pequena, que ocasiona, ela está lá, mas a dor sumiu. Cadê a dor?
-Entupido. Desde um dia antes da cirurgia que não evacuo. Xixi normal.
Psicológicos:
-Não me sinto eu. Parece que alguém está me comandando, me sinto um robô, faço tudo automaticamente.
-Choro por qualquer coisa.
Acho que fui abduzido durante a cirurgia ou saí da Matrix.
Volto aqui quando me achar.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Cirurgia. (Final)

Operei. Fim da novela. Entre Janeiro e Março desse ano fui sete vezes ao hospital em dias e horários alternados, sempre havia uma cirurgia mais importante que a minha. Não quero saber se há culpados, responsáveis ou irresponsáveis, capazes ou incapazes nisso tudo, queria só operar a minha hérnia. Foram quase quatro anos de espera, perdi tempo, cidadania e dignidade só para ficar nas palavrinhas bonitinhas dos textos moderninhos.
Não temos saúde, não temos SUS e a popularidade do Presidente da República está boa. Esses que dão esta popularidade a ele resolvem seus problemas de saúde onde e como?
Foi um corte feio, feito enviesado ao lado direito da bexiga, by SUS. Não pude perguntar, mas vejo que foram uns onze pontos que, se bem distribuídos eu poderia faturar milhões na Mega Sena.
Os médicos -fui atendido por vários- nunca viram a hérnia, a não ser momentos antes de eu operar, já deitado e anestesiado com uma peridural muito bem feita e sem dor. E se eu estivesse enganado? Se eu não tivesse uma hérnia? Fosse outra coisa? Como eles sairiam dessa?
Bem, o que importa é que estou operado, não sinto dor, a operação foi tranquila e a recuperação está transcorrendo de forma maravilhosa, não há sequer desconforto, logo estarei de volta à ativa em todos os campos, correndo, batendo escanteio, cabeceando e defendendo.
Espero o Dunga se sensibilizar e me chamar pro lugar do Kaká que anda lesionado...

domingo, 15 de março de 2009

Cirurgia. (Parte II)

A coisa está neste pé: fui na semana que passou pela sexta vez ao hospital. Nada de cirurgia, a desculpa é que há cirurgias de emergência que têm preferência sobre a minha que é eletiva, já que consigo viver e sobreviver com a hérnia, mesmo ela diminuindo minha qualidade de vida.
É a opção correta, mas o que eu quero é ser operado.
Vou fazer nova tentativa, a sétima, nesta semana, meio sem esperanças, estou contando com o constrangimento que ocasiono na equipe médica, especialmente na médica que faço contato que já demonstrou estar desconfortável com tantas desmarcações, com ela foi a terceira vez semana passada e a solicitação de cirurgia data de 23/09/2005! De agradável só os belos olhos verdes da médica, um consolo estético.
Mais notícias posto aqui. Com paciência de Jó.

O Misterioso Senhor X.

Ele surge esporadicamente no meu trabalho, se reune com alguém da Diretoria. Às vezes com um, ora com outro, às portas fechadas por breves períodos. Ninguém dos funcionários sabe quem ele é. Não trata de assuntos do trabalho, é algo pessoal.
De vez em quando vem pessoas de fora do serviço conversar com ele, também às portas fechadas.
Quem ele é? O que faz? Nenhum dos colegas de serviço sabe.
Me cumprimenta, às vezes converso com ele trivialidades, é falante, simpático, faz o estilo amigo, mas como ninguém diz quem ele é não sou eu que vou perguntar.
Um esotérico? Astrólogo? Psico sei-lá-o-quê? Conselheiro?
Aguardemos mais evidências de quem se trata o nosso misterioso senhor X. Qualquer indício posto aqui para a solução do mistério.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

A Buzina Encantada.

Um saudoso amigo era um cara mais agitado que seu pai, na adolescência passou a se interessar por carros: de rua, esportivos, Fórmula 1. Seu pai dirigia de forma tranquila e nunca se abalava com a falta de educação e barbeiragens dos outros motoristas. Seu filho -o meu amigo- sim. Cansado da serenidade do pai instalou um segundo botão que acionava a buzina, o escondeu perto de onde ele sentava no carro e acionava a buzina quando julgava necessário, o que seu pai nunca fazia. Em pouco tempo o pai começou a desconfiar e, um dia, comentou no carro:
- Este carro é mal assombrado, está buzinando sozinho!
Não sei como terminou a história, se o pai descobriu, o filho se acusou ou ficou por isso mesmo...

domingo, 25 de janeiro de 2009

Cirurgia. (Parte I)

Desde 2005 que aguardo uma operação de hérnia inguinal pelo SUS. Em 2006 fui chamado para um mutirão em um hospital da cidade para que fosse feita uma avaliação da minha situação e de muitos outros que, como eu, aguardavam cirurgia. Minha operação foi classificada como "Urgente" no documento que o médico que me atendeu preencheu, mesmo assim, até novembro de 2008 eu ainda não havia sido chamado para a cirurgia.
Ainda em novembro passado encontrei um amigo do tempo de adolescência que hoje é médico e atende em um hospital credenciado pelo SUS, pedi a ele que interviesse por mim para tentar antecipar a cirurgia, ele me conseguiu uma consulta com um cirurgião para 02/12/2008, onde me foi solicitado exames de sangue e ECG. Apresentei os exames em 30/12/2008 e, desde então, estou aguardando ser chamado para a cirurgia. Não há uma marcação de data, a cirurgia de nível ambulatorial deverá ser encaixada em um plantão da equipe que consultei, já fui duas vezes ao hospital por convocação da equipe, mas não deu para operar porque havia outra cirurgia urgente sendo executada e não haveria tempo para a minha.
Não reclamo das idas e vindas ao hospital, é bem melhor estar "na boca do túnel" para entrar em campo a qualquer momento que aguardar, como eu aguardava, uma consulta com um cirurgião. O desgastante é me mobilizar e aos familiares, estar em jejum de 12 horas e não operar, mas isso é secundário, estou feliz porque vou operar e melhorar a minha qualidade de vida, a sorte é que a hérnia não dói o tempo todo e não impede que eu leve uma vida quase normal, fazendo exercícios, carregando peso e trabalhando, o desconforto é mínimo.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Oásis.



Naquele lugar ele possuía ao seu alcance tudo o que precisava: satisfação para os sentidos, alimentação, água, luz, local para repouso; tempo para meditar e deixar a mente livre para navegar em seus pensamentos, medos, fantasias e desejos. Ninguém interferia, ele ficava isolado, não havia ruídos, telefone tocando, campainha da porta estrilando. Ficava longe da agitação de seu trabalho, das pessoas falando ao mesmo tempo, do telefone tocando, dos pedidos que lhe faziam. Longe do barulho da rua, dos escapamentos das motos e das buzinas neuróticas que tocavam o tempo todo.
Sem estas interferências ele pode pensar e acreditar que haja lugares melhores que aqueles, mais relaxantes, prazerosos, onde ele possa sedimentar suas idéias e desejos sem serem interrompidos e sem que necessite justificá-los aos outros. No seu oásis ele é o califa, o sultão, que não precisa dar satisfação de seus atos e pensamentos a ninguém. É a sua ilha particular, inviolável, poderosa, auto suficiente e eterna.
Até que alguém bate à porta de seu quarto e o chama, ato que o puxa violentamente à realidade. Ele se levanta, sai do quarto e volta à sua vida no deserto deixando uma miragem e uma esperança para trás.


sábado, 6 de dezembro de 2008

Natal Inesquecível da Masson.



Todo ano, nesta época de Natal me remeto à infância, boa parte dela defronte à TV.
Perto do Natal era exibida na TV uma propaganda da Casa Masson, relojoaria e joalheria famosa de décadas passadas. Até hoje lembro de parte da letra e cada vez que canto relembro um pouco da minha infância e dos sentimentos puros e doces que a infância proporciona.
Saudade do calor de dezembro que era diferente, sei lá porque, mas diferente, da agitação das semanas que antecediam o Natal, da expectativa insuportável para saber se iria ou não ganhar o presente que tanto queria. Um pouco de cada sentimento nas letras do jingle que mais me lembra o Natal:

"Muitas coisas lindas em brilhantes são como as estrelas lá do Céu.
Enchem nossos olhos de alegria e conservam sempre seu valor.
Jóias da Masson, presentes da Masson.
Jóias preciosas de beleza
Natal fascinante na Masson, Masson, Masson."

Para tentar relembrar a letra do jingle me utilizei de um post do Blog do Brisa e do comentário da Andréia no post. Obrigado aos dois.

sábado, 29 de novembro de 2008

O Papagaio do Pirata.




O velho pirata tinha como mascote o seu papagaio desde que era inteiro e não tinha um gancho no lugar de uma das mãos e nem uma perna de pau. O papagaio, valente, enfrentou todos os mares no ombro de seu dono e ouviu dele tudo o que ele sabia sobre a vida, o mar e a pilhagem. Em cada situação que o velho pirata se envolvia o papagaio estava ao seu lado, ouvindo e repetindo as velhas e esfarrapadas palavras e frases.
Durante uma batalha feroz, o velho pirata foi atingido por uma explosão e se foi, os marinheiros, sem perceber, passaram a receber ordens do papagaio que havia escapado da explosão voando para o alto do mastro da embarcação e de lá repetia tudo o que o velho pirata dizia em situações iguais aquela, tirando o navio da encrenca que se metera e aniquilando o inimigo.
Batalha terminada, o papagaio virou o capitão da nau, a mais eficiente máquina de pirataria que existiu nos sete mares.

sábado, 22 de novembro de 2008

O Realejo.



Todos os dias ele repetia seu ritual, tinha que passar no parque de diversões, caminhar até o realejo, ouvir a melodia em um volume só, estender o dinheiro ao velho senhor que desde sempre só fazia isso, esperar o periquito pescar com o bico um papelzinho dobrado onde estava escrito a sorte de seu dia.
O dia dependia do que estivesse escrito no papel, não havia chance do dia ser diferente, era o periquito quem dizia se o dia seria alegre, triste, divertido, cansativo, preocupante, dramático ou esperançoso. E não havia o que convencesse ele de que o realejo pudesse errar. A vida e a realidade tentavam mostrar a ele que o futuro era imprevisível, mesmo assim ele dava um jeito de adequar o seu dia ao que dizia a sorte tirada no realejo.
Já havia perdido diversas oportunidades na sua vida por não acreditar que ela fosse guiada pelo destino, perdeu emprego, namorada, amigos e até o velho cão desistiu de acompanhá-lo em suas aventuras diárias.
Ontem ele foi ao parque, como sempre, desde sempre. O realejo não estava mais lá, o seu velho dono morrera e o periquito, sem dono, foi doado à uma criança que seguidamente brincava com o periquito quando visitava o parque.
Pela primeira vez na sua vida ele teve que deixar o destino seguir o seu rumo, suando de nervosismo não conseguiu se mover, parado ficou diante do funcionário do parque que lhe dera a notícia fatal, sentiu o seu coração disparar, lhe faltou o ar, joelhos começaram a tremer, ria e chorava ao mesmo tempo, sentia que ia morrer.
Pela primeira vez na sua vida sentiu o que era viver sem ter controle sobre a sua vida, sem saber o que aconteceria no minuto seguinte, se iria morrer, sobreviver, se teria o que comer ou onde morar, exatamente o que sentimos todos os dias quando acordamos sem um papelzinho ao nosso lado para nos dizer como será o dia e, pela primeira vez, se sentiu só, abandonado.
À própria sorte.

sábado, 15 de novembro de 2008

Quero O Meu Tempo De Volta.

Não gosto de me lamuriar, portanto não entendam esse post como uma lamentação e, sim, uma explicação.
Ando cansado, fisicamente, por causa do trabalho e das caminhadas matinais, quando tenho um tempo livre prefiro não fazer nada, ou ver TV ou ficar na Internet navegando à esmo. Não tenho mais um tempo livre para a minha cabeça maquinar com liberdade, parece que o cansaço me tira a força de pensar e de me concentrar em assuntos legais para postar aqui.
Vou me esforçar para compensar a falta de pique e dedicar um tempo para mim mesmo, para pensar, desenvolver idéias e postá-las aqui.
Um pouquinho de paciência.